A vida, no fim de tarde, sopra uma coisa em meu ouvido. Nunca dá pra entender muito bem. Faço apenas uma idéia… Balbucia um quê de paixão, melancolia e coragem. Me afaga o rosto, até me rubrar a face. Falsa vergonha com que nasci ou graças à qual sobrevivi ao desejo constante da perdição e da boemia.

Os risos frouxos me chamam, o olhar que clama por beijos, a pele que acusa o cheiro viciante do corpo alheio. Alheia, íntima, só rio ou finjo tristezas. Ou sou tristeza, por que não? É tão normal a tristeza quanto o dia nascer nublado. Nuvens, um dia, tornam-se inevitáveis. Eu não evito.

E a vida, ah, essa vida, achou no meu ouvido folhas de um diário. Sopra aqui neste meu canto do ombro esquerdo os absurdos mais doces que jamais podia imaginar. A delícia de viver conscientemente num mundo inconsciente, viver com todos os sentidos, tanto, até doer. Mas doer-se sabendo bem da dor, sabendo bem de tudo. Não provo o mundo, mastigo com força, cheiro, pego, mordo, faço horrores, maravilhas, faço o que quiser. Foi mais uma coisa que a vida soprou no meu ouvido. Isso de tudo, foi o que entendi melhor: viver… Sussurrou assim: viver menina, simplesmente viver…

Pois bem, desde então vivo.

Me diz uns tantos aqui, acolá, e eu vivo; enquanto escrevo no tempo que sobra…

A quem visitar o Blog, bem-vindo, sempre. 

Eu sou só uma ouvinte, sedenta por palavras, sedenta por amores, por experiências, por vida minha, e vida de outros. Pronta pra viver, ouvir, e escrever. 

Um beijo, e boa vida.

Até…