Agulha na mão… Onde está meu coração? Se costuro rasgos, posso entrever logo ali, dentro ou fora, o fiapo que se perdeu. Ora, a vida é um eterno remendo?
A mãe, a criança, as tias com fome de visitas, a solidão nas ruas, olhos secos chupam o brilho dos dias de verão. E a agulha na mão, os pensamentos nos poros, meus pensamentos tem cheiro e ocupam o ar, e às vezes eles fedem. Exalo por quês.
Um colar de pérolas vermelhas se partiu, bolas e bolas rolando no chão. Eu chuto uma pérola ali, você chuta uma outra outra pérola ali, dia vem, alguém chuta minha alma, e as bolinhas vermelhas continuam a sina, rolando neste chão sujo de mundo. Lindas pérolas, imundas e feias, mas pérolas. E eu exalando por quês.
Com agulha na mão, vou fazendo pontinhos, pontinhos suaves, mão delicada; feridas já doeram demais o que tinha a doer. Vou costurando meu coração com uma renda amarela, pra eu pensar flores amarelas e atrair o sol.


Deixe um comentário
Feed de comentários deste artigo