Na Feira do Cerrado estava uma peça rara. Chapéu, laço rosa claro, colares de bolas coloridas, pequena, bem pequena.
Minha vó me segurou, forçando a parada, enquanto observava a outra senhora, do lado de lá da banca, tão ajeitada e disposta.
É uma artesã, bem velha já, disse que era amiga de Cora Coralina. Mostrou suas feituras, ia mostrando e contando histórias da antiga Goiás, coisa que acho de pouco interesse. Interessante ali era ela mesma.
Queria minha avó ter perguntado a idade da outra. Quase uma questão de desafio, velado sim, mas pude perceber. Era um encanto, era um respeito, mas com um fio de disputa; como quem busca uma certa verdade pra logo depois ousar um “não estou muito atrás…” Parecia uma criança, admirada e assustada de deparar-se com outra criança.
Lúcida. Foi esta a palavra que Dona Osmarina usou para qualificar a artesã Yaciara. A idade ficamos sem saber, faltou coragem pra perguntar. Era pura curiosidade, mas cheia de vergonha de se passar por falta de educação.


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