Minha terra judia nos meses de agosto a outubro. No meio do caminho, é primavera.
No anúncio da primavera, tem chuva, a chuva do cajú – uma das coisas que minha avó me ensinou. Outras coisas ela tenta me ensinar até hoje, mas tem jeito não. Culpa da diferença de ser entre nós. Mas o que nos aproxima, chamo amor.
Me descobri com medo, há pouco tempo. E o medo não é desses feitos traduzíveis e explicáveis com poucas palavras, nem com poucas sensações. Medo é como pintar uma parede inteira, com cores possíveis e impossíveis, já vistas e outras nunca criadas. (Um soldadinho de medo resolveu se sentar no meu peito, e é pesado, embora não seja de chumbo.)
Minha avó ama o mar, gosta de ver o mar. Eu amo minha avó, gosto de ver minha avó. Pra mim ela é grande como o mar, barulhenta e linda de se observar. Me ensina, mesma com suas ondas bravas, com suas ressacas de todo dia, e me ensina mais ainda quando é brisa.
De agosto a outubro se sofre muito na minha terra, mas há a promessa da primavera com sua beleza, e a gente vai levando, sempre com uma raminho de folha seca, prova de esperança, nas mãos. Depois, se diz e se espera a chuva. Vem a chuva pra por fim ao sofrimento. Assim, em estações, como são as estações da vida.
É preciso entender como as coisas são.
É preciso respeitar as estações, e todas elas dão os seus sinais.
É assim.


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